Neste mês estive no evento “FEMINIST CITY 6.0: What Makes a Caring City?”, organizado pela University of Toronto – Rotman School of Management, School of Cities, University of Toronto e o Institute for Gender and the Economy (GATE). Foi excelente ouvir as palestrantes atuando em áreas chave para incluir cada vez mais as mulheres no planejamento das cidades e se esforçando para construir ambientes urbanos melhores. O trabalho de cuidado é a base da nossa sociedade, e também o menos reconhecido. Além disso, as condições para que as mulheres desempenhem este cuidado são precárias. De acordo com a Prof. Dra. Karen Chapple (School of Cities), na cidade de Toronto, por exemplo, os serviços de cuidado estão distribuídos desigualmente pela cidade, fazendo com que as cuidadoras tenham que dispor de muito mais tempo para fazer as rotinas domésticas funcionarem. As desigualdades estão muito conectadas com a mobilidade e a infraestrutura social da cidade (das nossas cidades em geral). Mas, quando observamos os desafios de cidades do sul global, os problemas podem ser ainda mais complexos.
Para mim, as principais mensagens deste evento foram:
– Uma cidade com foco no cuidado e planejada em tempos de crise. São as crises urbanas que indicam as fragilidades que precisam ser solucionadas. Existem vários métodos que permitem a identificação destas fragilidades.
– A espacialização das informações é essencial para o desenvolvimento de estratégias e soluções. Precisamos de mapas participativos para agir.
– Dados e informações são essenciais, e mostram que há muito trabalho a fazer. Mas também é preciso focar em comunidades vulneráveis onde não há dados, ou estes são escassos. A informação (espacializada) é a base do planejamento. – É preciso criar espaços na cidade onde mulheres possam ser ouvidas, encontrar acolhimento e interação social. Isso traz a confiança para que cada vez mais elas ocupem os espaços que precisam ocupar.
– A liderança está conectada ao cuidado, e nao ao poder. Ou seja, nossos governos têm que cuidar dos cidadãos. E prover as condições necessárias para que o cuidado seja prioridade.
– Quem tem que influenciar as decisões para o planejamento urbano são os grupos mais excluídos, para que a mudança que precisamos realmente aconteça. Para tanto, é preciso estimular cada vez mais a participação social.
– Por trás de qualquer política urbana é preciso ter uma infraestrutura social, com intenção, engajamento e parcerias. Dessa forma, temos comunidades e nao apenas cidades com foco no indivíduo.
– Os governos precisam de ajuda com informações, treinamentos e métodos para trabalharem em conjunto com os cidadãos.
Essas são apenas algumas direções que podem ajudar planejadores e governos no trabalho de construção de uma comunidade justa e inclusiva para que mulheres, pessoas que se identificam como mulheres e meninas possam realmente viver bem, sem medo, e prosperar.
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