Ao longo da minha carreira acadêmica, viajei para diferentes cidades do mundo para fazer parte das pesquisas que eu conduzia. Para o meu doutorado em Planejamento Ambiental, vivi em Estocolmo, na Suécia, durante alguns meses, onde conheci os bairros ecológicos, seguros e sustentáveis. Passei também dois meses em Mumbai, na Índia, e os contatos que fiz por lá me ajudaram a construir uma visão mais integral das desigualdades, e como estas afetam as mulheres de forma mais contundente. Durante o meu primeiro pós-doutorado, estive em Helsinki, na Finlândia, onde aprendi muito sobre mapeamento participativo e ferramentas de inclusão social como base para um planejamento urbano mais justo e inclusivo. E agora, no meu segundo pós-doutorado, no Canadá, e trabalhando com meninas adolescentes e pesquisa comunitária para avaliar a gestão de resíduos no Canadá e no Brasil, aprendi como um planeamento urbano mais inclusivo tem realmente impacto no desenvolvimento dos cidadãos, especialmente das meninas/mulheres/minorias sexuais e como isso é melhor para todos. Claro que ainda há muito trabalho a fazer. O meu trabalho e as minhas experiências pessoais em diferentes cidades do mundo moldaram quem eu sou, a minha perspetiva de planeamento urbano, a forma como lido com a abordagem de mapeamento participativo em diferentes contextos urbanos, e a urgente necessidade de ação. Desta forma, estou muito animada e esperancosa de iniciar este grande projeto de urbanismo feminista na cidade onde nasci, Sao Paulo.
São Paulo tem muitas oportunidades para ação, mas também muita desigualdade, vulnerabilidade, injustiças sociais, racismo ambiental e segregação. Para mim, é uma honra poder implementar a Rede FEM DES em São Paulo e ter este apoio para iniciar um projeto tão importante no momento em que vivemos. Estamos planejando iniciativas para começar a mapear as reais percepções e demandas das mulheres, meninas e minorias sexuais, e traçar estratégias para transformações locais, e imaginar uma cidade melhor para todos num futuro próximo.