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Ciclo de Conversas Maio 2022: Engajando cidadãos para co-criar cidades melhores

Quando eu entrei em contato pela primeira vez com o mapeamento participativo, eu estava finalizando a minha tese de doutorado, avaliando a produção de biodiesel de dendê no nordeste, a qual uma boa parte era feita por agricultores familiares, que pouco ou nada opinavam sobre a cadeia de produção na qual estavam envolvidos. Eram profundamente afetados pelas condições de trabalho, mas suas necessidades raramente eram levadas em conta pelos produtores de biodiesel. Hoje, este cenário está mudando. Aos poucos. Ainda bem. Então, em 2013, ainda no doutorado, eu tive meu primeiro contato com o mapeamento participativo, e fiquei muito impactada pelo que este método podia trazer à tona. Infelizmente não tive tempo de aplicar o método em meu doutorado, pois certamente faria muita diferença.  Então, após a minha defesa de tese, desde 2016 trabalho consistentemente com mapeamento participativo, e posso garantir que qualquer projeto, seja ambiental, social, urbano, ou o que for, não permanece o mesmo depois que as pessoas envolvidas e influenciadas por ele (mesmo que indiretamente) começam a participar de forma mais ativa. É por isso que eu faço o que faço. Porquê vi que nosso bairro, nossa cidade, nossa vida poderia ser muito melhor se a gente tem um espaço para comunicar as nossas necessidades.Nossas cidades tem nos deixado doentes, sua infraestrutura torna nossa vida mais difícil. Por isso eu trabalho promovendo o mapeamento participativo como um meio de melhorarmos a nossa qualidade de vida, dentro do planejamento urbano. Por isso dou cursos, palestras e suporte metodológico em variados projetos. E em maio, teremos um Ciclo de Conversas que tem por maior objetivo tratar de dois grandes desafios urbanos. A inclusão de crianças e jovens no planejamento urbano, e a gestão dos principais desafios que enfrentamos hoje, a pandemia, as mudanças climáticas e as desigualdades, na cidade.

O objetivo do ciclo de conversas é aprofundar o debate em diversos temas essenciais para a gestão urbana participativa, conceituando os principais desafios e oportunidades e mostrando ferramentas e métodos de trabalho relacionados ao mapeamento participativo e colaborativo para pesquisadores, professores, gestores, lideranças comunitárias, estudantes e interessados no tema em geral.

TEMA 1: O primeiro tema de Maio é “Crianças e jovens planejando a cidade:  métodos e ferramentas de engajamento”, no dia 9 de maio, das 18h às 20h30. Este tema aprofundará na importante e necessária participação de jovens e crianças no planejamento e tomada de decisões de nossas cidades, mostrando casos e aplicações de métodos participativos, com foco no mapeamento, e mostrando também as principais ferramentas que poderiam ser utilizadas com este público, inclusive em escolas. E claro, como a participação de crianças e jovens poderia contribuir para um desenvolvimento urbano melhor e mais saudável para todos. Neste dia, o programa educacional “Crianças e jovens pensando a cidade”, será apresentado. Este programa será oferecido para escolas (ensino fundamental 1 e 2).

TEMA 2: O segundo tema é “A gestão dos principais desafios urbanos com o mapeamento participativo”, no dia 16 de maio, das 18h às 20h30, e tratará de forma mais aprofundada quais são os principais desafios enfrentados hoje pela gestão urbana, como a pandemia, as mudanças climáticas e seus impactos sociais e ambientais, as desigualdades, e mostrará como a utilização do mapeamento participativo pode promover melhores formas de enfrentamento destes desafios, com o apoio dos cidadãos e o envolvimento dos gestores. Para quem trabalha com gestão urbana (seja mobilidade, infraestrutura, planejamento, meio ambiente etc), o desafio é imenso. É necessário e urgente acomodar as necessidades da população nas nossas cidades que  crescem de forma acelerada dia após dia. Expansão de bairros, novos empreendimentos, necessidade de implementação de transporte público de qualidade, necessidade de implementação de infraestrutura básica (água, esgoto, energia) em bairros mais vulneráveis, necessidade de cumprir as legislações ambientais, e com isso, exigências de orçamento e outros entraves que podem influenciar (muitas vezes de forma não muito positiva) o desenvolvimento urbano.
Soma-se a tudo isso a questão do impacto crescente das mudanças climáticas (desastres, chuvas, etc), a pandemia e a priorização de transporte público em maior quantidade, as adaptação de locais de trabalho, de espaços públicos, e tantos outros equipamentos, e os impactos sociais e ambientais que afetam a nossa vida diariamente. Para um gestor, além do domínio aprofundado dos temas que acabei de mencionar (e não foram todos) é necessário o conhecimento de ferramentas para sistematizar este conhecimento, organizar dados, visualizar, analisar e gerar cenários e planejamentos. O mapeamento participativo é uma ferramenta que pode promover esta organização, sistematização, possibilidade de análises, geração de produtos, cenários e planejamentos para uma cidade. Como os gestores podem utilizar esse conhecimento e esse potencial para tornar as cidades locais mais resilientes e humanos?

A inscrição para o evento pode ser feita pelo link: https://bit.ly/participacaocidades

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